Mudanças Climáticas: Por que se preocupar?

Há pelo menos 4 décadas a comunidade científica estuda e reúne dados sobre o impacto da interferência humana no meio ambiente. Dentre eles, a alteração brutal nas concentrações de gases do efeito estufa. O que já foi por muito tempo chamado ‘aquecimento global’, hoje tem outro termo mais adequado: emergência climática. 

Ou ainda, Antropoceno – uma nova época geológica, em que humanos substituíram a natureza como a força ambiental dominante na Terra. 

O 6º Relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da ONU, publicado este mês (9), não deixa dúvidas sobre o prejuízo que a ação humana tem provocado ao planeta. O AR6 (sigla para o 6° Relatório) aponta que o limite de aquecimento capaz de evitar alterações catastróficas no clima é de 1,5 °C – aumento na temperatura média global, em relação ao período pré-industrial – e, tudo indica que ele será atingido em 2030, uma década mais cedo do que anteriormente previsto. 

Um resultado direto disso são os eventos climáticos extremos sem precedentes, com frequência cada vez maior, e em todas as regiões do globo, conforme alertam os cientistas. Além das ondas de calor, acompanham-se secas mais longas, incêndios florestais desastrosos, enchentes e tempestades recorrentes e nevascas, fruto de mais umidade em regiões frias. “Se aquecemos a atmosfera, aumentamos a energia e toda a máquina do clima trabalha mais rápido: muita chuva em um momento e muita evaporação em outro. E aí começa o caos”, afirma José Marengo, do CPTEC – Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos.

Esses problemas já estão fazendo vítimas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o aquecimento global mata cerca de 160 mil pessoas por ano. Vários dos fatores diretos das mudanças climáticas afetam a saúde: falta de alimentos leva à desnutrição, enchentes trazem leptospirose e contaminam fontes de água, o que traz diarréias. Além da proliferação facilitada de mosquitos, os quais podem desencadear epidemias, como malária, dengue e febre amarela, ou seja, é uma tragédia. Mas pode sempre piorar.  

Se forem mantidos os níveis atuais de emissões, a quantidade de carbono que se tem disponível para uso antes do incremento da temperatura média global em 1,5° C, corresponde a, aproximadamente, 10 anos. Isso significa que tem-se uma janela de apenas 10 anos para que políticos, empresas, equipes econômicas e o resto da sociedade tomem medidas decisivas a fim reduzir pela metade as emissões de CO2 em todo o mundo e zerar até 2050. É melhor começar a agir. Rápido. Vamos juntos?

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