CIDADES CONTRA OS DESCARTÁVEIS

O Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo – atrás apenas de EUA, China e Índia. Por ano, o país gera 11,3 milhões de toneladas – número três vezes maior que sua produção de café, por exemplo. Para combater essa tendência, algumas cidades decretaram leis que proíbem canudos e outros plásticos.

As medidas não apenas podem ajudar a impedir que plásticos poluam os ecossistemas marinhos, mas também enfrentam o mito de que podemos nos livrar do problema por meio da reciclagem. É fato que apenas 9% das 8,3 bilhões de toneladas de plástico produzidas entre 1950 e 2015 foram recicladas, além de que, muitos dos produtos plásticos fabricados atualmente não são realmente recicláveis.

O arquipélago de Fernando de Noronha, Patrimônio Natural Mundial da Unesco, é o primeiro território a banir o plástico descartável no Brasil. A fim de evitar um oceano com mais plástico que peixes, em abril de 2019 passou a vigorar o decreto do “plástico zero”, o qual determina a proibição de entrada, comercialização e uso de recipientes e embalagens descartáveis de material plástico, como sacolas, canudos, garrafas e embalagens de isopor e garrafas PET, de até 500 ml. 

O decreto faz parte da política pública Noronha Plástico Zero, um conjunto de ações integradas de educação e comunicação que buscam sensibilizar, engajar e mobilizar moradores e turistas de Fernando de Noronha para o banimento do plástico. O mesmo está em andamento na Vila de Jericoacoara, no Ceará.

Além da ilha, cidades como São Paulo, Salvador, Fortaleza e estados como Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro já sancionaram projetos de lei que preveem a proibição de fornecimento de canudos e/ou sacolas plásticas em estabelecimentos comerciais da cidade. Em apenas dois anos, a Asserj (Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro) registrou a retirada de circulação de 4,3 bilhões de sacolas nas lojas do setor.

Em todo o mundo, mais de 50 países já possuem alguma política de banimento dos plásticos de uso único. No continente americano, o Chile dá exemplo. Na Oceania, tem-se a Nova Zelândia. Com relação às grandes potências, podemos citar a China, a Índia e a União Europeia. O continente africano, ao contrário do que se imagina, é o que reúne o maior número de países engajados. Que sirva de exemplo para todos.

É preciso ter em mente, no entanto, que apenas a existência de decretos e leis não irá solucionar o problema dos descartáveis, já que este é sistêmico, ou seja, passa por diversos atores da sociedade. Entre os muitos desafios, há a mudança de comportamento das indústrias, mas também há uma pressão crescente pela transparência, pela vontade de gestores públicos com modelos mentais inovadores e por consumidores que queiram justiça socioambiental. 

Fonte: Atlas do Plástico

DW: https://www.dw.com/pt-br/onde-o-pl%C3%A1stico-%C3%A9-proibido-no-mundo/a-49398718

Mar sem fim: https://marsemfim.com.br/paises-que-baniram-o-plastico/